PESSOAL | PITCH BOOTCAMP

Estou mais cansada do que se tivesse feito uma aula endurance de crossfit, mas curiosamente estou com energia e tenho mil ideias na cabeça, por isso, ao invés de descansar, vim aqui escrever o meu testemunho sobre o Pitch Bootcamp, realizado pela Spark Agency. Esta foi a 47º edição e realizou-se no ISEG.
Amigos, esta conversa vai ser longa, eu gostava de poder sentar convosco, acompanhada do meu carioca de limão em chávena grande, numa bela esplanada e vos contar isso tudo em jeito de amena cavaqueira. Mas não vai dar. Não vai dar porque quando iniciei este curso, que agora sou finalista, partilhei com vocês aqui, em vídeo, o meu dilema académico e tive uma resposta bastante positiva. Então, vou ter mesmo de contar tudo, né?
Mais uma vez, esta é uma conversa que eu gostaria que alguém tivesse tido comigo a meio do meu percurso. 
Portanto: és finalista, ainda não ingressaste no ensino superior, já tens mestrado e já estás a trabalhar, queres um estágio, etc e etc, se estás numa destas posições ou algo parecido, isto é para ti, é interessante, os minutos que vais passar a ler isto não serão perdidos.
Quem faz o quê e onde

Para os novos navegantes, eu sou finalista do curso de Marketing, tenho assim um amor gigante pela comunicação e, desde que terminei o meu estágio curricular que sei exatamente o que quero fazer na minha vida profissional.
A Spark Agency é uma empresa que presta os mais diversos serviços empresariais, long story short, faz a ponte entre o mercado de trabalho e jovens talentos (não se apoquente com o termo “jovem”, vamos começar já por derrubar a barreira do fator idade, ok? Ok.).
Este evento é liderado pelo “inserir aqui as considerações que você quiser” Miguel Gonçalves.
A única coisa que eu sabia sobre este senhor, até a data, era o que eu tinha visto no programa prós e contras em 2011 – aliás foi a minha mãe que viu e me mostrou e eu na altura liguei ZERO. Podem ver a primeira parte aqui.
Ou seja, eu não estava mínimamente preocupada em saber quem ele era mas sim o que é que eu poderia ganhar com isso. E isso serve apenas para vos dizer, é pá, vão, depois façam o vosso próprio juízo de valor sobre este pequeno grande ser. Se depois continuarem a partilhar da mesma opinião negativa que popula por estas internetes e comunicações sociais afora, tenho apenas muita pena de vocês.
Porquê
O meu objetivo quando me inscrevi, e grande parte das razões pelas quais me inscrevi, foram:
1) Qualquer coisa que envolva falar com empresas neste momento da minha carreira eu aceito – infelizmente na minha faculdade não há iniciativas como feiras de emprego;
2) Tenho uma colega da turma que trabalha na Spark e só tinha coisas boas a dizer sobre isso;
3) Se há coisa que aprendi com o blogue é que network é uma ferramenta importante e eu precisava conhecer pessoas novas;
4) Havia uma empresa, que eu ando a perseguir há alguns anos, na qual quero muito trabalhar e nada melhor que poder ir falar diretamente com a fonte.
Como foi

Honestamente? Achei que ia para lá ouvir as mesmas lenga-lengas de sempre: “Como fazer um CV”, “Como se comportar numa entrevista”, “Como se candidatar à uma vaga de trabalho”…
Sabem o que foi que eu ouvi?
Exatamente isso tudo, e muito mais. Só, que, eu agora realmente aprendi ferramentas úteis! Através de exercícios indivíduais, dinâmicas de grupo, muito ouvir, tomar notas e práticar. E aqui praticar é o fundamental.
Foram dois dias extremamente duros, emocionalmente desgastante! Sexta e Sábado numa sala com um calor infernal, com mais 144 pessoas, das 8h29 até às 19h e tal da tarde. Sofri mais do que com as diretas para cumprir deadlines da faculdade.
No primeiro dia tivemos formação e, no segundo, contato com mais de 100 profissionais/empresas. Isto é tudo muito resumido porque entre uma coisa e outra há muito sangue, lágrimas e suor (parecia Rio 40ºC, só que sem praia), quer da nossa parte, quer da equipa maravilhosa que geriu essa “brincadeira” toda com o rigor de um relógio suíço (que eu conheço, vocês sabem que eu não vivo só de chocolates).
Ao final do primeiro dia eu já tinha conseguido entender que, então, o meu objetivo ali era: aumentar a minha rede de contatos E criar uma oportunidade para vir a ter trabalho. Reparem, eu não disse que estava à espera que me fossem oferecer trabalho, muito menos que queria um emprego. 
A transformação

Eu tenho alguma experiência profissional. Eu já perdi a conta de quantas entrevistas já fui em Portugal. Eu sou consumidora voraz de informção. Eu mesmo não estando à procura de trabalho costumo passar os olhos pelos classificados de emprego. Eu sei exatamente onde quero estar profissionalmente a longo prazo na minha carreira. Até hoje eu sempre acreditei que não havia oportunidades para mim em Portugal.
Nunca fui nenhum “patinho-feio”, pelo contrário, tenho noção das minha competências, das que me faltam e as que tenho de melhorar. Eu achava que tinha noção do meu potencial e sempre vivi com alguma frustração do tipo “Mas porque é que ninguém vê que eu sou isto? Que eu tenho este valor?” e neste final de semana eu descobri que, por muito boa comunicadora que eu seja, eu não estava a usar a mensagem certa, aliás, eu nem sequer estava a contar a minha história toda como deve ser.
O Pitch, nada mais é do que um discurso entre 30seg a 2 minutos  no qual tu vais apresentar – seja à quem for, em que situação for – quem tu és, de onde vens, para onde queres ir e qual a tua proposta de valor.
Quem aqui assiste ao Shark Tank está familiarizado, mais ou menos, com este conceito. 
Vou acrescentar aqui uma coisa óbvia, tempo é dinheiro, e quando rentabilizas ao máximo o tempo que estás a apresentar-te ao teu potencial futuro empregador, se o fizeres bem nestes dois minutos, ganhaste já dinheiro e o empregador também.
Outra mentalidade que eu tinha era que estava mais que farta desta história de estágios, que as empresas em Portugal eram (quase) todas oportunistas e só queriam escravizar. Já não acredito tanto nisso porque quando o Miguel nos pediu para quantificar, pôr em números, tudo o que já fizemos na vida, eu percebi que aqueles 3 meses de estágio curricular, nada divertidos, foram a grande caixa de ferramentas na minha vida. Eu sei todas as tarefas que desempenhei, mas uma coisa é eu dizer a um empresário “Eu fiz uma base de dados” e outra é “Eu fiz uma base de dados onde efetuei mais de 150 contatos, por telefone, e-mail e reuniões presenciais e ainda consegui adicionar novos parceiros à empresa”. [momento “Ahhh, por isso é que eu dizia “nossa, como eu sou boa” e os empregadores ouviam “blá blá blá blá”].
O que eu ouvi das empresas é que sim, há estágios, mas na verdade quando eu me dei ao trabalho de ouvir e prestar atenção, aos casos que me interessavam, na verdade o que eu estava a ouvir era “sim, estamos dipostos a ensinar-te”. Agora cabe aqui à cada um resolver o que quer da vida. 
Virei Alicia Keys

Não, não me pus a fazer karaoke no meio do ISEG para aquela multidão de gente com tudo para dar, mas posso dizer que it is a “Brand New Me”.
Eu pensava que conhecia o meu potencial mas o feedback que tive dos 8 profissionais que ouviram o meu pitch foi que:
 – Eu posso ser e ter a profissão que eu quiser (não estou a inventar, tenho mesmo isso por escrito);
– Tenho perfil para todas as áreas que eu gosto (idem);
–  “Melhor pitch que ouvimos hoje”;
– Tenho a maturidade, desenvoltura, confiança e habilidades para trabalhar onde eu quiser.
– “Não falhaste nenhuma vírgula no teu discurso”. [Professor que me que passou com 10 à português na faculdade, o embaixador da vírgula em Portugal, veja isto!].
Havia por lá pessoas com os mais variados objetivos mas tenho a certeza que saíram todos de lá muito mais confiantes para enfrentar essa coisa bem feia do mercado de trabalho – agora está mais bonita aos meus olhos, confesso.
Se eu saí de lá já assim com uma proposta de trabalho? Não, porque sucesso só vem antes de trabalho no dicionário, mas saí de lá com as ferramentas e uma lista de contatos valiosissíma, onde eu irei certamente dedicar o meu tempo e atenção para que, eventualmente, eu possa dizer que eu consegui atingir o meu objetivo no Bootcamp: “eu criei a minha oportunidade de trabalho”.
E atenção, não há aqui pózinhos de fada, não me iludi nem vos quero iludir à vocês e cada caso é um caso, mas se eu já desconfiava que em Portugal não iria ter a oportunidade que eu queria, agora tenho quase a certeza. Conversei com alguns profissionais e percebi que os departamentos onde gostaria de trabalhar não estão localizados em Portugal. São estas “pequenas” aprendizagens que irão ajudar, e muito, a decidir o meu futuro e não há nada melhor do que aprender com pessoas que já passaram pelo mesmo percurso (semelhante) ao teu e hoje estão onde se calhar vocês gostariam de estar. Sempre quis ter uma carreira com um percurso internacional, the doors are now more than open.
Se tenho o ego nas nuvens? Tenho. Realizei dois sonhos hoje, o primeiro, de que alguém me dissesse tudo aquilo que eu ouvi hoje; o único comentário negativo que eu ouvi, eu consegui revertê-lo e a pessoa mudou de ideias à meu respeito (o poder do Pitch!). Segundo, posso dizer que, esta experiência toda, para mim, foi o meu primeiro 20 como nota final na faculdade. Jamais, é que jamais mesmo, irei me esquecer do brilho nos olhos das pessoas que me ouviram, dos sorrisos e dos elogios.
Para além disso, porque nem tudo é só business, passei estes dois dias com mais 10 pessoas na minha mesa que não conhecia de lado nenhum e que adorei mesmo conhecer.
Hoje é um dia para eu deixar o meu ego sair da caixa e preencher a casa, eu mereço. Mas mais do que auto-palmatórias eu tenho de agradecer, mesmo, ao Miguel, e à sua equipa, por esta iniciativa que está a mudar a vida dos jovens  portugueses. Foram os €30 (de inscrição) mais bem gastos deste ano! O valor que eu recebi de volta é imensurável e vai perdurar até ao final da minha vida.
Esta experiência colocou um interruptor que eu tinha escondido dentro de mim, e que eu nem sequer o conhecia, em modo ON e consegui encontrar aquele empurrão que eu precisava para continuar a auto-motivar-me e a perseguir os meus objetivos.
Se querem parar de se queixar e querem começar a agir para mudar as coisas que não te agradam, mas não sabes como, corre e participa na próxima edição.
Vou vos deixar aqui com uma fotografia retirada do página oficial da Spark e que, só por acaso, é da mesa fantabulástica onde estive nestes dois dias! #GoTable10
                

6 Comments

  1. April 16, 2016 / 10:59 pm

    tenho um amigo meu que trabalhou na spark em braga e deu-me umas luzes valiosas quando estava à procura de emprego. na altura disse-me o mesmo "fizest estágio no lugar x, óptimo.. mas qual foi o teu contributo naquele lugar?" ora, passei desde aí a reformular as respostas em entrevistas e td o meu cv mudou.

    • April 18, 2016 / 8:50 am

      são mesmo pequenos detalhes mas que fazem diferença e eu pude comprovar de perto.
      fico feliz que de alguma forma o bootcamp também tenha ajudado 🙂

      Beijinho

  2. Ana Bia, colega na mesa 10
    April 18, 2016 / 2:03 am

    Olá. Adorei o teu testemunho do pitch bootcamp deste fim de semana. Foste super transparente e digo isto porque sinto exatamente o mesmo. Colocaste as coisas nos termos dos factos! Continua a perseguir os teus sonhos. Tens tudo para alcançar o sucesso. Parabéns pelo belo. Vê se que tens aqui algum tempo investido e isso é de valorizar. Em breve envio te o meu trabalho sobre o impacto das leis de protecção dos animais. Beijinhos

    • April 18, 2016 / 8:51 am

      Olá, Ana.
      Fico genuinamente contente com as tuas palavras e sabes que também tens o meu apoio, no que precisares podes contar comigo.
      Ficarei a aguardar 🙂

      Beijinho

  3. Vera Ribeiro, mais uma colega da mesa 10! :)
    April 18, 2016 / 6:05 pm

    Olá Thaisa,
    Subscrevo por inteiro tudo aquilo que escreveste!De facto, o pitch foi uma experiência maravilhosa e, sem dúvida alguma, que todos nós saímos de lá mais informados e preparados para o mercado de trabalho do que estávamos quando entramos no ISEG às 8h30 (ups 8h29!) da manhã de sexta-feira. Espero que daqui para a frente tudo te corra pelo melhor, tens tudo o que é preciso para chegar longe.
    Um beijinho e foi um enorme prazer poder conhecer-te a ti e à restante malta da fantástica mesa 10.

    P.S Parabéns, gostei imenso do teu blog! Ganhaste mais uma fã! 🙂

    • April 18, 2016 / 7:37 pm

      Desejo o dobro para ti!
      Já sabes que, no que puder ajudar, estarei disponível.

      Muito obrigada mesmo pelas palavras, ter este apoio dá-me ainda mais forças!

      Beijinho

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